Havia, em Marim, em tempos dos árabes nesta província, uma luxuosa propriedade, onde um rico mouro vivia com a sua formosíssima filha, Alina.
Abdalá, trovador mouro, apaixonado por Alina, cantava todas as noites em frente à janela do quarto da sua amada. Tais demonstrações de amor não eram, no entanto, vistas com bons olhos pelo pai de Alina que, cansado, chamou-o prometendo-lhe a mão da filha caso o jovem mouro conseguisse transportar para junto do palácio, numa só noite, a fonte do rio, localizada a treze léguas de distância.
A ausência do rapaz na noite seguinte alegrou o pai de Alina, descansando que teria feito o suficiente para afastá-los finalmente um do outro.
Era já madrugada quando se ouviu soar o alaúde. Era o rapaz! E junto a ele, uma enorme fonte.
Movido pela raiva, o velho mouro atira Alina pela janela, que cai nos braços do amado, para dentro do ribeiro.
Reza a lenda que não morreram, e que ainda hoje são avistados a passear pela propriedade, cantando ao som do alaúde.
