Zé, um homem de meia-idade que vivia numa antiga casa perto do Moinho do Sobrado, lá para os lados do Bairro do Levante, contava que, por vezes, durante a noite lhe aparecia em casa uma mulher moura, muito formosa.

Por estar quase sempre embriagado, ninguém acreditava na sua história. Empenhado em comprová-la decidiu apostar com Julião uma fazenda que possuía no sítio da Relva, caso a moura lhe aparecesse.

Noivo de uma moça chamada Aninhas, Julião não hesitou em aceitar, pois a fazenda fazia-lhe um grande jeito.

Mal deu a meia-noite, sentado numa pedra, junto do Moinho do Sobrado, apareceu-lhe, a linda mulher.

Emocionado com a triste história da moura encantada que havia sido abandonada pelo pai e pelo namorado, quis saber como poderia ajudá-la a voltar para a sua terra, e a libertá-la daquele encantamento. Porém, o feitiço só poderia ser quebrado quando um homem a abraçasse junto ao mar, a ferisse no braço esquerdo com uma faca, e atravessasse com ela o oceano, com duas velas acesas, casando depois com ela à chegada.

Julião, comprometido com Aninhas, nada poderia fazer.

Reza a lenda que Floripes continuou a ser vista pelos pescadores que saíam de madrugada para ir trabalhar, na esperança de que um deles tivesse coragem suficiente para a libertar do encantamento que lhe permitiria voltar à sua terra.